quinta-feira, 25 de março de 2010

O Ritual nosso de cada dia

Vivemos de forma metódica, construímos nossa vida através de modelos, padronizamos e formalizamos. Mas é quando nos permitimos fazer um ritual que damos significado às coisas, é uma espécie de respeito a si próprio, conexão com Deus, sei lá, algo que vai além da mecanicidade de nossas mentes. Para muitos o ritual está imbuído de preconceito e julgamento, mas ritual é parir, é nascer, é tomar banho, ou até mesmo fazer uma refeição em família, tudo depende do significado que damos, se achamos que é simplesmente rotina, será rotina.
Festa de aniverssário, velório, casamento, divórcio, despedidas e acolhidas são rituais. E não poderiam deixar de ser ao passo que por terem um significado tão explícito nos transformam, depois de um ritual não somos mais os mesmos, mudamos, transformamos, amadurecemos, crescemos!
Os rituais existem desde que o mundo é mundo, mas nossa modernidade permitiu uma perda de significados e valores, e o impalpável, o imensurável se perdeu na luta com o material. A televisão ganhou o espaço da conversa de um casal, a cantiga de ninar perdeu espaço para o CD, e o resultado em nosso interior é que vamos perdendo o nosso significado como seres humanos, como seres sensíveis, como amantes da vida.
Buscamos fora aquilo que está em nosso interior, mas ninguém quer olhar para dentro se pode alienar-se assistindo TV ou namorando pela web. O mundo virtual, o espaço cibernético é consequência da perda de rituais, e com isso a perda de valores. Voltamos a estaca zero, luto-fuga, instinto animal, primitivo....
O curso da vida segue, mas que possamos dar valor ao que é devido e realizar muitos rituais diariamente. Parar, olhar, pensar, sentir, viver....