O que pensar de um ser que desenvolve-se em um ventre como um milagre, cresce, movimenta-se, abre e fecha os olhos, sorri, soluça, interage com o meio e sente e percebe o mundo como sua mãe? É divino, é o milagre da vida.
Os nove meses que antecedem a gestação é chamado de “a gestação da gestação”. Todas as impressões, sentimentos e anseios da mãe refletirão no futuro bebê. A mulher já nasce com todos os seus óvulos dentro do corpo, então todas as impressões desde a formação destes poderão influenciar em parte no seu filho, como por exemplo o meio em que essa mãe foi gerada e como foi o seu nascimento. No caso do pai, 5 meses antes da concepção os espermatozóides estão em seu corpo, assim todos os registros presentes nestes refletirão diretamente no bebê.
O momento da concepção por si só define aspectos fundamentais, a presença de amor e acolhimento no ato sexual fundamentam um ser que saberá amar, que terá boa capacidade de relacionar-se com o meio em que vive e sentir-se-á acolhido. Isso não acontece com bebês gerados sem amor ou em casos de violência sexual, podendo desenvolver em alto grau quadros de desnutrição e síndrome de má absorção, ou ainda depressão e transtornos obsessivos. Os bebês de proveta por sua vez não tiveram o primeiro nível de vinculação, o que resulta na falta de vínculo nos relacionamentos interpessoais.
Confirmações científicas mostram que a partir do 6º mês de gestação o sistema nervoso do feto está bastante amadurecido, uma evidência disso é que 50% de todos os fetos se assustam com ruídos altos. Na vigésima sexta semana, os olhos se abrem e há provas de que ele está acordado. A partir do sétimo mês as ondas cerebrais do feto são semelhantes às de um recém-nascido. A memória intra-uterina refletirá em escolhas futuras do bebê, ele após o nascimento procura a voz da mãe, acalma-se com estórias ou canções da gravidez, e o seu maior desejo dentre todos é olhar nos olhos da mãe, é saber quem o embalava em seu ventre e de quem era a voz que ele ouvia. Isto só mostra que o bebê está presente, é um ser e merece ser respeitado, a sua vida desenrola-se desde antes da concepção, os registros de todo esse trajeto ficam gravados em sua matriz, bem como o do parto. Quanto menos “violência” no parto melhor para o bebê e para a mãe, esta ocorre em forma de desrespeito por parte dos médicos e enfermeiras, ou ainda pelos métodos intervencionistas. A gestação não é doença e o parto não é e nem tem de ser cirúrgico, o bebê nasce e deveria imediatamente ir para os braços da mãe, a separação que acontece de rotina nos hospitais bloqueia o processo de vinculação, que com certeza é muito mais importante do que pesar ou limpar o bebê naquele momento, o bebê não nasce sujo, ele precisa simplesmente de sua mãe, de aconchego e amor. Na 1ª hora após o nascimento há uma total sintonia entre mãe e filho, o nível hormonal gera uma freqüência de êxtase em ambos, é um momento mágico. O bebê descobrindo sua mãe e o mundo, e a mãe descobrindo-se e permitindo-se esta experiência.
O fato de percebermos a gestação num contexto mais abrangente nos permite interagir mais com o bebê e saber da nossa responsabilidade, não a fim de gerar culpa, mas sim gerar um sentimento de união, integridade e compaixão. Pois o bebê enquanto estiver no ventre sente e percebe tudo pelos olhos da mãe, não vê separação, ele e a mãe são a mesma coisa. O início da vida é mais importante que o meio e o fim, porque é ele que determinará como será o futuro. Uma semente plantada num terreno fértil, regada, cuidada, com luz e calor, é capaz de gerar uma árvore forte e dar frutos, um bebê concebido com amor e bem cuidado os nove meses por uma mãe sadia física e emocionalmente será um adulto esclarecido e feliz.

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